Lá na fronteira
O circo pegou fogo
Juan pagou de louco
Caímos duas veiz
Tomamos toco
Vacilo, fomo afoito
O cara era dezoito
Tirou nóis pra freguês
É no pipoco
Que quem paga de louco
Herói é cabra solto
Não foi a nossa vez
Futuro cobra
Não importa a manobra
Um dia chega a hora
De pagar tudo o que fez
Tudo que vai, volta
Tudo que vai, volta
Tudo que vai, volta
Não aceito as verdades de quem
Não quer saber ninguém
Só fala o que lhe convém
E lá no fundo, alguém
Perdido num pesadelo incessante
Triste ambulante
São tantas pedras, espinhos
No pé de quem é humilde
A vida entregar à sorte
Ainda driblar a morte
Fugindo de agiotas
Enganando idiotas
Num blefe
Um disparo!
Lá na fronteira
O circo pegou fogo
Juan pagou de louco
Mas logo se desfez
Sangue, no osso
A corda no pescoço
Um teto por um toco
Quem será dessa vez?
Foi dado o jogo
E quem cresceu no poço
Corrói o brilho aos poucos
Se foi a lucidez
Sistema cobra
Oprime e sufoca
Há de chegar a hora
De virar esse xadrez?
Tudo que vai, volta
Tudo que vai, volta
Tudo que vai, volta