Meu lírico coração sangra
O óbito de mais um igual
Meu singelo coração sangra
O crescimento de tanto mal
Meu caloso coração sangra
Por essas histórias sem moral
Onde se perdeu a compaixão?
Dando voz a todos meus iguais
Ah, quanto bastará de caixão?
Lembrando a dor de tantos ais
Azul, rosa? Qual cor da paixão?
Labuta dos nossos ancestrais
Cessou o barulho, silêncio
Há mais um morto na viela
Padecimento em silêncio
Uma mãe chora na favela
Tumulto, cadê o silêncio?
Outro inocente na cela
Grau do teor da melanina
Julgamento predefinido
Perpetuando cada sina
Mesmo se tiver ascendido
Biscate acaso menina
Quando for menino, bandido
Na fala do novo Messias
Preconceitos são respaldados
No discurso deste Messias
Direitos relativizados
Nas parábolas do Messias
Semelhantes hostilizados
Jovens guiados no colégio?
Cada um por si: Nova era?
Quê? Não existe privilégio
Sinal fechado, quem espera?
Ironia é sacrilégio?
Quando surgirá primavera?
Mudou a penugem Carcará?
Espancamento no Baccará
Revoa sexista Carcará
Cláudia, Marielle, Dandara
Há quem te aplauda, Carcará
Revelando, no Sol, a cara
Repressão não se legitima
Indícios cada qual conclua
Por vezes, verdade não rima
Breve tal pluma que flutua
Fortuita matéria-prima
Assim, vida crua e nua