No rincão meio escondido
Onde o vento faz morada
Maneco, homem conhecido
Inventou um baile de ramada
Carlito, o mais ligeiro
Chega cedo, ergue o cercado
As primas da Chinica
Deixam tudo enfeitado
Na porteira da entrada
Tem cheiro bom de comida
Prenda Lia, a mais amada
Ajeita a saia colorida
E quando a gaita acorda
Começa toda a festança
Ninguém fica sentado
Todo mundo vai pra dança
Baile de ramada
Festa simples, animada
Levanta pó do chão
Adentra a madrugada
Alegria das guria
Festança da rapaziada
Ecoa no terreiro
A gaita bem tocada
E o gaúcho faceiro
Não recusa uma rodada
O gaiteiro da fronteira
Toca firme o vaneirão
Prenda Lurdes faz carreira
Roda a saia no salão
Na mesa, o pão caseiro
Bolo frito, ovo assado
Milho na brasa e churrasco
Tudo simples, caprichado
E segue madrugada
Com o povo animado
Seu Bonifácio, o mais velho
Dança lento agarrado
Baile de ramada
Festa simples, animada
Levanta pó do chão
Adentra a madrugada
Alegria das guria
Festança da rapaziada
Ecoa no terreiro
A gaita bem tocada
E o gaúcho faceiro
Não recusa uma rodada
O tempo foi levando
Os bailes de ramada
Mas quem neles já dançou
Só de lembrar, dá uma bailada