Descia um homem pela estrada
E ninguém quis parar
Descia de Jerusalém
Pela estrada de Jericó
Caiu na mão de ladrões
Ficou sozinho, ficou só
Passou um homem religioso
Olhou, mas preferiu seguir
Passou outro tão piedoso
Mas não quis se envolver ali
Às vezes a fé não é discurso
É descer do próprio lugar
Quem é o meu próximo?
É o que precisa de mim
Amor não pede documento
Só pergunta: Você tá aí?
Se a dor tá caída na estrada
Não é hora de discutir
A fé que não toca ferida
Não aprendeu a servir
Veio um samaritano
Desprezado pela religião
Mas carregava no peito
Um coração em combustão
Azeite nas feridas
Vinho pra cicatrizar
Colocou sobre o seu próprio animal
E decidiu cuidar
Ele pagou a conta do outro
Sem saber se ia voltar
Quem ama não faz cálculo
Só escolhe ajudar
Quem é o meu próximo?
É o que cruza meu olhar
Se eu vejo e não me movo
Eu deixo de amar