Um violão a dedilhar, no peito um atabaque
Minha alma se ajoelha pra rezar, sem alarde
Um fio de luz desce do céu, um toque de bondade
E a fé que mora em mim transcende a idade
Visto o branco de Oxalá, peço que a paz me ensine
Pai de todos, criador, que o amor nos ilumine
No silêncio dessa prece, a esperança me define
Epa Babá, meu Pai, que a sua luz me fascine
Pelas matas, ouço a flecha a zunir, é Oxóssi a me guiar
O conhecimento da folha que ensina a curar
A fartura que me cerca, a coragem pra caçar
Okê Arô, meu Pai, em ti eu vou confiar!
Axé! É a força que me guia
Em cada gota d'água, em cada grão de areia
Sinto a presença que o meu ser semeia
É a fé nos Orixás que a minha vida incendeia!
Axé! Energia que me invade
É o vento, é o trovão, é a maré da verdade
O Orixá vive em mim, é minha identidade
Abra o caminho, Ogum, com seu facão de aço
Me dê a força pra lutar em cada passo
Ogunhê, meu Pai, desfaça o nó, quebre o laço!
E que a justiça de Xangô, com seu machado de um braço
Seja o fogo que me rege, no trono do seu paço
Kaô Kabecilê, me ampare no seu abraço!
O vento sopra e arrepia, é Iansã a bailar
Eparrei, Oyá, me ensine a não ter medo de mudar!
No rio, o espelho de Oxum, sedução no olhar
Ora iê iê ô, me banhe em ouro pra prosperar!
E o mar me abraça, é Iemanjá, canção de ninar
Odoyá, Rainha, em seu colo é o meu lugar!
Axé! É a força que me guia
Em cada gota d'água, em cada grão de areia
Sinto a presença que o meu ser semeia
É a fé nos Orixás que a minha vida incendeia!
Axé! Energia que me invade
É o vento, é o trovão, é a maré da verdade
O Orixá vive em mim, é minha identidade
Na terra que me cura, com a palha a cobrir... Atotô, Obaluaê!
Na lama que me cria e me viu envelhecer... Salubá, Nanã!
E Exu revela a encruzilhada, o que eu vou escolher
Laroyê, me mostre o caminho para eu poder viver!
Axé
A prece sobe
Leva meu pranto
Transforma em canto
Epa Babá