Febre da televisão, ladrão
Os a favor
Ando na paz e fui tirado como marginal
Pela sociedade, os paraíso tropical
Ilusão da TV, quer educar você
Os moleque grudado aprende o que não é pra aprender
Na malhação tem pista, skate, campeonato
Só que em São Miguel, esporte tá sem espaço
Ana Maria braga: Comida, rango da hora
Ana Maria da favela, pedindo esmola
Desigualdade infinita desse país
Mina nasceu num mundo louco, não foi atriz
Mano não é ator, nem quer decorar o texto
Não gosta de novela, a real leva no peito
Jeferson Moraes chama logo de bandido
Diz que não é motivo o gueto ser excluído
Repórter fichado, tem o que comer
Resposta da favela: Vá se F, informar melhor sobre meu povo
Que assiste teu programa, adianta de grama, ligeiro com os cana
Me engana que eu gosto, pegadinha do faustão
Se vim pegar no Élio, vai se bater com o canhão!
Plantão Alagoas diz logo: O caso é sério
Dinheiro, audiência pro tal Oscar de Melo
Pobre algemado, a imprensa destacou
Filho de bacana, nem mostrou e abafou
Assim nós fica louco não para de escrever porque rap é nossa vida pode crer, dê no que dê
Visão perigosa? Há, no perigo eu vivo
Meu som é minha fé e meu Senhor está comigo
Não curto a tal novela, nem tenho nada contra, mas vivo da real mermo como as minhas bronca
Vi na TV local, programa social, mano rodou com ferro, chamaro de marginal!
Era outro guerreiro, trabalhador rural, cansou de ser roubado, se enquadrou, pronto e tal
Na calma, sem maldade, pensando em se proteger
Favela, barraco, família, sobreviver
Ninguém quis dar emprego mano foi catar sem dó
Não sei se foi a fome ou foi efeito do pó
Da branca a pura, ops, me arrepiei todo
Estiga, sujeira, deixa louco apetitoso
Eu queria mesmo era só rimar com paz
Mas quando penso que acabou, outro mano caí
Aqui é patria amada, idolatrada, salve, salve!
Meu povo ainda sonha nessa tal da igualdade!
Possibilidade mínima de ser feliz
Possibilidade as mina aqui não é atriz
Possibilidade máxima vocês criou
Mal influência, menor no crime ingressou
Big Brother Brasil, investimento, coisa fina
Big Brother favela é tiroteio, drenalina
A tal da Praça é Nossa, que nada, eu não me iludo
Aqui se rir demais, amoleceu, virou defunto
E olhe, eu não tô aumentando sair dalí é louco
Por trás da tela tem favela fico nervoso
Cuidado não é a Globo, nem menos SBT, não é Band, nem
Record, é rap só pro cê vê
E raro não se envolver, os governante num acredita
Pega nosso dinheiro pra curtir com as puta gringa
Investimento longe por trás ninguém filmou
No outro lado Élio convivendo com o terror
Então, rap chegou, sem temer esses cruel
Conexão Arapiraca, Maceió, São Miguel
Só maluco de atitude, fortalecendo a fé
Firmão pelo rap pro que der e vier
Favela Jaraguá, Celião é aliado
Aproveitando um salve pro Jeferson do Reginaldo
C-V original, em nóis ninguém investe
Então tô escalado, já pensou se a firma cresce?
Pra gente nunca tem flash, poeta esquecido
Na boca da sociedade, nego bandido
Sigo a regra desse livro não sou menos, nem sou mais
Traiu o irmãozinho, nóis puder nóis corre atrás
Quem ficar a parte faz, sei que isso e ilusão
A real do dia a dia não tá na televisão
Não é filme de ação, comédia, nem terror
É rap conexão capital, interior
A mídia não filmou, se pá deixa pra lá, nóis num tá nem aqui, aqui ninguém é popstar!
É rap, atitude, alagoano, cabra homi, com a arma da periferia no microfone
Invadindo a sua casa, o som do seu carro
O cabana tá cabrero é rap pra todo lado
Não é apologia, é a dor da verdade
Explodindo o agudo, estourando o grave!
O bruto tá peidado, diz que dói no ouvido
Discrimina nosso som pra pôr horário político
Han, Zorra Total, A Diarista, Grande família, fofoca, palhaçada, verdade ou mentira
Não sei colé a desse povo social
Manda nos prender, nos bate e bota no jornal
Eles é quem manda, ser pá, dono do mundo
Cria esses programa, mas de cima Deus vê tudo!
Sim, é arriscado, mas será que eu tô errado?
Propaganda na TV pro cigarro, pro álcool
No farol toma um assalto pro cê vê, vai vendo
Reação do poeirão, garotão veneno
Que não gosta de TV, tá botando pra ferver
Porque em casa ou no barraco alguém espera pra comer
Perdido, dia de fúria, escravo da escopeta
Se rodar, é destaque, audiência pra Gazeta
Mas um dia os mano sai, só o rap nos muda
Porque eu sou brasileiro, então num desisto nunca
Sistema fila da puta, beneficiando o mal
Bota álcool na TV, fala mal da natural
O pai que se entrega, troca a família por álcool
Pra mim é um pilantra, vacilão, safado!
Faz a família sofrer, chega bebo, quebra tudo
Isso num tá na TV, ignorância ou absurdo
Bota a real na tela pro meu povo assistir
Vem filmar a favela, é mais o menos tipo assim
Gravou pode cair repórter, não tô mentindo
Diariamente é treta de policia e de bandido
Brasil que país louco quem vai nos socorrer?
Playboyzinho tirando onda, um palhação na TV
Manda os boy se fu, não, melhor sem palavrão!
Sobreviver da real, fortalecendo a união
E os pro da televisão, a noite é só novela
Melhor ficar com a jack, dar um role na favela
A letra é a sequela, rap é a voz do provão
Que não se guia mais na febre da televisão
A letra é a sequela, rap é a voz do provão
Que não se guia mais na febre da televisão
A letra é a sequela, rap é a voz do provão
Que não se guia mais na febre da televisão!
(Ha, febre da televisão, irmão)