Do cinzel ao ferro, o homem se fez rei
Mas o trono em chamas cedo se desfez
Ergueu do nada sua imortal morada
E moldou no fogo a própria espada
O brilho nas mãos cegou-lhe o olhar
Fez da centelha o seu altar
Nasceu a ruína, entre o rugido e a dor
No próprio ferreiro criou-se o terror
E o aço canta, num tom de lamento
Forjado em culpa, moldado em tormento
Cada golpe ecoa nos céus rompidos
O grito dos deuses, agora em nós, feridos
Ecos da forja rugem no ar!
O som do pecado volta a chamar!
Nas chamas do tempo ecoa o erro
O homem forjou o próprio desterro!
A chama ascendeu, contra quem a criou!
O ferro partiu, e o mármore tombou!
A forja estalou, gritou o martelo!
O fogo sagrado tornou-se flagelo!
Da glória à ruína, do fogo ao frio
Restou só o eco do próprio vazio!
O Deus que criamos, no fim nos julgou!
Sob o céu rachado, o aço calou!
Ecos da forja! Ouçam o aviso!
O som dos deuses virou castigo!
Da chama nascida, a lição final
Quem busca ser Deus, reencontra o metal!