O cantar é minha sina
Nasci pra ser cantador
Faço isso por amor
Sem ganância por dinheiro
A inspiração de um campeiro
É a própria seiva da terra
É o gado xucro que berra
Lá no fundo do potreiro
Meu canto é o rio grande inteiro
Serra, campo e litoral
É relincho de bagual
Que nunca vai ser domado
Demonstrando seu anseio
Numa cancha de rodeio
Nasceu pra ser aporreado
Cantar é um dom divino
Por Deus fui predestinado
Meu cantar é um legado
Que traz entretenimento
Faz esquecer os lamentos
E os contratempos da vida
Traz amor, vigor e calma
Cura as feridas da alma
E nos dá força pra lida
Meu cantar é o atavismo
Dos templos das tradições
É o aroma dos galpões
Emanado de um braseiro
É o Rio grande missioneiro
Cantado em prosa e verso
É um passeio no universo
Da mente de um cancioneiro