Nalice Muller
Não cultive multidão
Disse um dia Sérgio Vaz
Quer fazer, fale com os pés
Eles que vão ir atrás
Sem melodia
Isso aqui é uma expressão de silêncio
Assustando seu vilarejo com o otimismo de Clarêncio
Penso, logo existo
Resisto, logo penso
Que resistir é sagrado
Já que existir é propenso
E suscetível a presença de cores vivas que incensam
As avenidas e praças desse lugar onde reinam
Pragas que infestam os ares, homens que queimam florestas
Ego da mente que mente, árvores tem consciência
Entre falsas descobertas de um país que liberta
Gente por custo e entrega elas pra fome e miséria
Mas livres todos nós somos
Tire essa roupa laranja, fala com esse laranja que o injusto cai por terra
Para os manos daqui, para os manos de lá
Palestina, Xangrilá
Peço o axé de Oxalá
As vezes sinto que o chão é o céu desse lugar
Pra ele que eu vou olhar, pra ele que eu vou orar
Não cultive multidão
Disse um dia Sérgio Vaz
Quer fazer, fale com os pés
Eles que vão ir atrás
Perca-se num poema
Acha sua mandinga
Se quer ver, acredita
Entre versos, batidas
A caneta sangrou nessa escrita que eu fiz num caderno manchado de vinho
Quero vida longa tipo Matusalém
Muita lombra com os matos daqui
Espero que quem finge ser amigo
Se canse de fingir e quiser virar inimigo
Talvez melhor assim
Mas não arme pra mim que eu tenho uns manin
Capazes de muita coisa por mim
Capazes de pronunciar o seu fim
Mas talvez o seu castigo seja viver e não evoluir
Ela fala do meu canto e que eu faço pra fugir
Lembro que te vi de canto e encontrei o paraíso
Para de me cobrar tanto e busca tratar de ti
Parei de me drogar tanto e entendi um pouco mais sobre mim
Um pouco mais
Um pouco mais sobre mim
Não cultive multidão
Disse um dia Sérgio Vaz
Quer fazer, fale com os pés
Eles que vão ir atrás
Faz teu corre, meu irmão
Coração na sola e vai
Da concha da solidão
Faz a sua crosta-lar
Multidão, Sérgio Vaz
Vai, vai
Vai, vai
Faz, faz