Refulge na clareira espessa
Um trono de lenha envolto em seiva
Sob o domínio da floresta
Fados sem justiça verdadeira
Há um calor no manto do solo
Que nos traz ira, que nos traz sono
Em muitas línguas eles oram
No ermo da mata, um pranto sem dono
As chamas dançam ao céu atroz
Um destino hesitante em lamento
Estrelas se alinham por nós
E então corpos insepultos queimam
Cinzas manam pelo rio
Onde o fluxo beija a Lua
À sua margem um covil
Sinfonia taciturna
Água em caos de voz profunda
Tão sombria quanto a sua
Que espera e que perdura
Submersa na penumbra