Num campo de margaridas floridas
Turva é a névoa que almejo afastar
A noite oscila a certeza da vida
Quebrada na brasa em que arde o altar
Com beijos de lâmina, os veios abrem
Seu tronco desbota como uma lápide
Os nossos nomes, cravados na árvore
Demandam sulco vermelho escarlate
Vão
Nos escombros do remorso
Nosso excesso é soterrado
As serpentes e raízes
Valam as sobras de um legado
Do naufrágio vem a sede
Profecia do oceano
Não há nenhum lar de deuses
Sem suor e linfa humanos
Cobrem-se do Sol
Na sombra da cruz