Antes do pó
Antes do nome
Antes do peso do corpo
Nós já éramos
Não havia fome
Não sentíamos dor
Não havia toque
Mas existiam consciência e amor
Uma pergunta rompia
O silêncio
E havia uma escolha a fazer
Não fomos empurrados nem enganados
A porta nos foi mostrada
Mas para obtermos a chave
Uma decisão teria que ser tomada
Sabíamos
Que, ao atravessar
Perderíamos a lembrança
Mas não o propósito
Aprendemos que haveria dor
Porque crescer exige sacrifício
Que haveria quedas
Porque caminhar sem amarras
É parte do aprendizado
Mas também nos foi mostrado
Que o sofrimento não seria vazio
A fé
Não como certeza
Mas como decisão diária
A obediência
Não como submissão
Mas como alinhamento
Com algo maior do que o medo
E a oração
Não como pedido
Mas como lembrança
De quem somos
Quando o mundo tenta nos convencer do contrário
E antes que o véu fosse colocado
Houve uma voz que se levantou
Não para obrigar
Não para tomar a escolha de ninguém
Mas para defendê-la
Era nosso irmão mais puro
Ele sustentou o plano
Quando a liberdade parecia arriscada demais
Ele afirmou que o amor
Valia o preço da dor
Foi por Ele
Que recebemos o direito de nascer na Terra
De agir por nós mesmos
De errar, aprender e escolher
E quando ficou claro
Que não seríamos suficientes
Ele se ofereceu
Para completar o que nos faltaria
Assumiu a dívida
Que não sabíamos como pagar
A expiação
Não como fuga da justiça
Mas como ponte
Ao escolher descer
Aceitamos o véu
Aceitamos esquecer
Para aprender de verdade
Cada ato correto aqui
É um eco daquela escolha antiga
E no fim
Quando o caminho parecer alto demais
Vamos entender
Não viemos comprar a subida
Viemos construí-la
Degrau por degrau
Escolha por escolha
Confiando que
Quando nossas forças cessarem
A graça já terá preparado
O que precisamos para voltar
E reconheceremos o lugar
Não porque ele é novo
Mas porque sempre foi
Nosso lar