Essa Vila existiu, de fato, no tempo bom do barato
Me lembro com emoção
Nos fundos era um campo com gado, na frente um mato fechado
No IPEAS, no Capão do Leão
Era vila de operários, que recebiam salários
Não pagavam aluguel
Nossa casa era uma festa, embora tivessem frestas
Ninguém vivia ao léu
Jogando bolinha de gude, tomando banho de açude
A gurizada era feliz
Meus irmãos mais velhos, me livravam do chinelo
Eu fugia por um triz
Lá na Vila das Cruzeiras
Dos tempos bons e felizes
Desses tempos mais antigos
É que herdei minhas raízes
Havia a pesca e as caçadas
As pencas lá no portão
Carpetas e jogo de bocha
Também eram a diversão
No futebol tinha um clássico
O Agrissul contra o Central
Todos iam ver o jogo
Que era aguerrido e leal
Lá a paz, a simplicidade
E a honestidade era sem igual
Só o perigo que rondava
É da Cruzeira que morava
No meio do macegal
A mãe servindo o almoço, na mesa um alvoroço
Ninguém comia direito
Mas não davam mais um pio, apenas com um assovio
O Pai mantinha o respeito
Bem encilhado o pingo, vestindo roupas de domingo
Todos iam ao jogo do osso
Uns jogavam por dinheiro, ganhavam e ficavam faceiros
Jogatina de velhos e moços
Lá na Vila das Cruzeiras
Dos tempos bons e felizes
Desses tempos mais antigos
É que herdei minhas raízes
Havia a pesca e as caçadas
As pencas lá no portão
Carpetas e jogo de bocha
Também eram a diversão
No futebol tinha um clássico
O Agrissul contra o Central
Todos iam ver o jogo
Que era aguerrido e leal
Lá a paz, a simplicidade
E a honestidade era sem igual
Só o perigo que rondava
É da Cruzeira que morava
No meio do macegal