Ela chegou como raio em dia sem nuvem
E quando olhei já era tarde pra fugir
Entre rezas e cicatrizes
Ela me fez altar de um templo além do tempo
Sacerdotisa
Demônia que me amava
Meio pagã, meio indígena
Rainha das porções mágicas
Feiticeira de fé perigosa
Queimando incenso e destino
Entre chacrona e mariri
Sagrado feminino
Ela veio de lugar nenhum
De um tempo que nunca existiu
Traz nos olhos o veneno e o brilho
Um feitiço que nunca se viu
Versos de amor jogados ao mar
Pétalas de rosas vermelhas
Lençol de seda dourada
Entre hesitações e escolhas
O que restou de tudo, o que restou de mim
Reza o nome dela em silêncio
Sacerdotisa
Demônia que me amava
Meio pagã, meio indígena
Rainha das porções mágicas
Ela beija e me desarma
E de sua teia faz a trama
Faz do amor campo de guerra
E das paixõesa sua cama
Ela não pede, ela domina
Canto da sereia, hipnotiza
Dedo na Glock, olhar felino
É fera, é dor, é ira!
Txai, mais que amiga, mais que irmã
A metade dela que habita em mim
A metade de mim que habita nela
Eva, Adão, a serpente e a maçã, amor profano
Sacerdotisa
Demônia que me amava
Meio pagã, meio indígena
Rainha das porções mágicas
Onça bela de olhos verdes
Eco das selvas e das ruas
Carrega nas veias mil deuses
Carrega o inferno nas luas
Sem pai, sem mãe
Sem perdão, ela é só
Ela dança na beira do abismo
E me leva pra ele, sem dó
Mulher que não se brinca
Ela veio de lugar nenhum
De um tempo que nunca existiu
Passado, futuro e eternidade
Má, madame Satã
Má, madame Satã
Má, madame Satã
Ela diz que vendeu sua alma
Ela diz que vendeu sua alma
Ela diz que vendeu sua alma
Não lhe disse, eu quem comprei
Agora, entre hesitações e escolhas
O que restou de tudo, o que restou de mim
Reza o nome dela em silêncio